É maravilhoso começar o fim de semana com encanto e expressar apenas palavras de alegria. Eu acredito no poder da palavra e do pensamento positivo. Porém, também sei que o mal existe e que tem tentado dominar tudo o que existe. Quisera eu apenas poder comemorar que a sexta-feira chegou, mas hoje, eu não consegui. Precisei expressar o que o meu interior gritava. Não é pessimismo, muito pelo contrário. É vontade de que as coisas mudem e que quando houver mudança, que ocorra da melhor forma. E que venha forte, esquentando e saciando o coração apertado daqueles que ainda sentem algo ao receberem as notícias atuais. É preciso muita esperança num mundo no qual pontes não param de desabar, debates e discussões acerca da opção sexual alheia é tema constante, baratas evoluem, idosos e animais são vítimas de todos os tipos de violência, há cada vez mais assassinato de crianças, ônibus são incendiados semanalmente e cresce a cada dia o número de estupradores.
"A esperança não murcha, ela não cansa,
também como ela não sucumbe a crença.
Vão-se sonhos nas asas da descrença,
voltam sonhos nas asas da esperança."
-Augusto dos Anjos
Com a esperança que lateja, ao som de:Enquanto houver sol - Titãs
Da saga enfim entendi o que a música significa. E se não entendi, o sentido que ela fez pra mim, provavelmente fará pra outras pessoas. E da idade dos dilemas, das escolhas, das dúvidas, das renúncias, e das 29 etapas de amadurecimento, espero conseguir passar, melhor e mais forte.
Versão acústica da música Retorno de Saturno, da banda Detonautas Roque Clube.
E do limite de fundo, cada um tem o seu conhecimento. O conceito de fundo depende de onde você está. Essa abertura profunda cavada no solo, tem uma dimensão diferente pra cada um, pra cada estágio. Quando dizem 'o buraco é mais embaixo' não se percebe nem de longe que para o outro ele pode ser muito mais em cima, ou nem existir. Existe um provérbio chinês que diz 'lembre-se de cavar o poço bem antes de sentir sede'. Se houver um bom planejamento e se tudo for feito conforme manda o figurino, o tal abismo pode nem se abrir. Mas inúmeras vezes, mais do que deveria, essa cavidade pejorativa aparece. Acredito que ninguém gostaria nem de estar no poço. Entretanto, estando nele, é a vontade de sair que motivará. O arrependimento por ter se deixado cair ali. A vontade de querer algo além, o saber que você merece mais. O anseio de escapar do poço dará a saída. Mas sem a vontade, o poço ficará cada vez mais fundo, cada vez mais difícil de sair. Do fundo poço, cada um tem sua própria dimensão. Contudo, acredito que ao sair, tudo deve ficar mais claro; a luz no fim do túnel também existe no alto do poço.
29, com todas as suas virtudes e incertezas. Há quem diga que a idade não modifica nada em certos estágios da vida, mas eu não acredito nisso. Penso que a mudança sempre ocorre, estando nesta, inclusive, o quê da questão. Se nada mudasse, por que a mudança de ano? Grandes coisas vão surgir. Sei do tamanho, mas não da intensidade. De algumas tenho medo, por outras anseio. E quanto a mudança - "Deixa ser como será...".
"O tempo que tudo transforma,
transforma também o nosso temperamento.
Cada idade tem os seus prazeres,
o seu espírito e os seus hábitos."
(Nicolas Boileau)
Vintenoviando ao som de: Retorno de Saturno - Detonautas PS: mas pensando em 29 da Legião Urbana.
Em combate ao desânimo vem aquela vontade de viver. Aquela ânsia de fazer, não sei o quê, mas fazer. Muitas vezes o dia parece não passar, mas nada foi feito neste dia de proveitoso. Mas na verdade, isso só acontece quando há inércia. A apatia estagna o tempo, estraga e até destrói. Portanto, vivamos esse momento que só acontece uma vez.
"As próximas 24 horas vão ser de fundamental importância na sua vida. Esqueça o que você foi no passado. Isto não conta, porque estes momentos já foram vividos e estão na memória do tempo. Mesmo que você conheça suas outras encarnações, ou tenha descoberto a pista para solucionar traumas infantis, esqueça o passado. Esqueça o futuro. Primeiro, porque Deus tem sua própria maneira de escrever nossos destinos, e não adianta tentar adivinhar o que passa em Sua cabeça. Segundo, porque – até o dia de amanhã – você só tem 24 horas para viver.Tenha coragem de aproveitá-las, fazendo coisas que você sempre quis. É para isto que você está no mundo. É para isto que Deus lhe dá, todos os dias, às 24 horas mais importantes de sua vida."
Bastaria o alarde, junto à aspereza que machuca e incomoda, tal qual uma noite mal dormida. E como consequência, haveria ainda mais que um vazio, se possível fosse. Mas se a felicidade acompanha uma caixa de bombons, a intensidade se acomoda numa cegonha, ou em qualquer outro caminhão. E se a escuridão cega, ela também acorda, como aquele bom café bem escuro servido pela manhã. A esperança acompanha a intensidade, por ser tão forte quanto a mesma. Quando ambas caminham juntas, o instante mais fatigante se torna brando e o novo dia desponta como naqueles filmes clichês. Dai, a vanglória, a ostentação da dor, se torna desnecessária, tanto quanto ou mais que o martírio.
Brandamente ouvindo:O velho e o moço - Los Hermanos
E procurando o que realmente quero, encontrei uma palavra perdida. Descobri, sem maiores novidades, que eu quero mais é ser feliz. Sem ambicionar algo, ambição nunca foi meu forte. No passado, revoltada, escrevi sobre ela e circunstâncias que a envolvem - a palavra sempre me assustara. http://raroseafins.blogspot.com.br/2010/02/ambicao.html.Na busca, percebi que a palavra ambição continua não fazendo parte nem de meu vocabulário quanto mais de meus dias. Contudo, outra me tomou pelas mãos: objetivo. Com o encontro vieram também as dúvidas e os medos expostos quando se traça uma meta. O percurso do escopo tende a ser árduo, mas os obstáculos provavelmente farão com que tudo seja ainda mais recompensador no final.
"Não basta dar os passos que nos devem levar um dia ao objetivo, cada passo deve ser ele próprio um objetivo em si mesmo, ao mesmo tempo que nos leva para diante." (Johann Goethe)
O sábado até pode ser a rosa da semana, como já exaltaria Clarice, mas a sexta-feira pode ser o jardim todo. A sexta-feira é repleta de estágios. Ao acordar, ela é cansativa, pesada. A semana inteira nas costas, toda aquela resposabilidade diária que te fez perder sono, perder paciência, perder ritmo. Mas você levanta e segue com a rotina. Afinal, o seu ganha pão está ali, nesse arrasto. À tarde, a sexta-feira já começa flertar com você. A hora do almoço já se mistura com descanso e planejamento para o entardecer. O dia já não parece mais tão longo, as horas já não parecem mais estagnadas. Ao chegar da alvorada, tudo muda. O arrebol toma conta de todo o pensamento e não há mais nada que te prenda. O sábado pode ser especial, mas como já gritaria Nelson, "a sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica". Dai, na hora de fazer os pedidos, lembre-se da sexta-feira. Se me perguntarem, categórica direi: me vê um punhado de sexta-feira e pode ficar com o troco.
Uma ode à sexta-feira, meditando: Satisfaction - Rolling Stones
E quando tudo parece desmoronar, eis que algo te puxa e te segura. O "algo" depende de e do que cada um acredita. Mas a questão é que esse algo não te deixar desistir. Esse quê de utopia que carrego comigo é um dos meus "algos". Dentro desses "algos", tenho alguns alguéns também. O medo constante de que um dia eles não estejam por perto já me correu por dias o sono. A falta que possivelmente eles farão me coloca em constante estado de iminente inércia. Se utopia é uma realidade em potência, então a minha fantasia é essa: o sentimento de que eles sempre estarão comigo de uma forma ou de outra. Isso me conforta, mesmo que em estreita escala. Eles são tão importantes pra mim que me fazem burlar a língua portuguesa, numa busca desenfreada por uma palavra que os defina. Contudo, percebi que a definição de o quão importante eles são pra mim ainda terá muito que ser explorada. E são esses "algos" e alguéns que me motivam a sempre querer alcançar o que parece impossível.
"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
[Das Utopias - Mario Quintana]
Buscando realizar o irrealizável ao som de: Amor de Índio - Beto Guedes
Passado metade do primeiro mês do ano, já é possível fazer a tal reflexão sem ser piegas. Será? Minha ansiedade por este ano se equipara à criança que viu o bolo de aniversário mas ainda não pode comê-lo por não estar na hora dos parabéns. Rolam os sentimentos básicos, aqueles que atiçam os sentidos. Medo, euforia, "choro compulsivo, riso histérico", entre outros. Estar mais perto de entender o que sou e o que sinto é assustador, mas ao que parece, quanto mais o tempo passa, menos é possível entender. Sigo incompreendendo e tentando entender. Mas sigo, cantando e dançando quando dá vontade, mais saltitante que aquelas balas que explodem na boca. E vem comigo quem pode, e se apresente quem quer.
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(Novas Poesias Inéditas -
Alberto Caeiro)
Entre saltos e outras coisitas, ao som de: Eu quero é botar meu bloco na rua -Sérgio Sampaio
"O propósito moral da vida de um homem é a conquista de sua própria felicidade. Isto não significa que ele seja indiferente a todos, que a vida humana não tenha nenhum valor para ele e que não tenha motivo para ajudar outros em uma emergência. Mas significa, isto sim, que não subordina a sua vida ao bem-estar de outros; não se sacrifica pelas necessidades deles; que o alívio do sofrimento deles não é sua preocupação prioritária; que qualquer ajuda que ele dê é uma exceção, não uma regra, um ato de generosidade, não de obrigação moral." - Ayn Rand
Fico pensando se brasileiro é inocente ou se prefere 'se fazer de besta' ou ainda se apenas tem memória curta mesmo. Não consigo entender, em meio ao fogo cruzado entre policiais militares e uma facção criminosa, que ainda tenha gente pensando apenas em direitos humanos, de quem deve ou não ter. Jornal mostra que pesquisas estão sendo feitas a fim de buscar formas de controlar a violência, principalmente a que tem matado policiais. Como se violência fosse algo palpável e tivesse vontade própria. Fica muito mais difícil entender, enquanto tudo isso acontece, que ocupando o mesmo espaço de tais circunstâncias, fique a tal ofensa que a cantora Rita Lee teria feito aos policiais miliares em Sergipe.
Opinião ## Por trás da guerra nas ruas de São Paulo
Por Bob Fernandes*
O número de homicídiosna guerra entre o PCC e a PM paulista aumentou nos últimos meses: acordo rompido
Noventa e oito policiais militares assassinados em São Paulo neste ano. Só 5 deles mortos trabalhando. Quando a morte é fora do trabalho, a família não recebe benefícios. Neste ano, em todo o Estado, já foram assassinados mais de 3.330 cidadãos. Só na capital, até setembro, 919 homicídios. Antonio Ferreira Pinto é o Secretário de Segurança. Numa dessas coletivas para a imprensa, há pouco tempo, ele disse que os assassinatos de PMs não tinham “nenhuma vinculação com a facção”. A “facção”, como diz o secretário sem citar o nome, é o PCC. Não há quem não saiba que está em andamento uma guerra particular entre o PCC e a PM. Uma PM, pelo que se sabe, com divisões; digamos assim. Segundo oficiais com quem falei, teriam sido rompidos, de parte a parte, “códigos de conduta”. Há quem negue a existência de tais códigos, mas eles existem: a polícia tem seus códigos não escritos e os criminosos também têm. E ambos têm um código em comum. Pela quantidade de mortos, é evidente que algum tipo de código, ou de acordo – ou de acordos – foi rompido. Criminosos matam de um lado? Vem a resposta: alguns, quase sempre em motos, com munição de uso exclusivo de forças policiais, dão o troco e também matam. Fica no ar uma pergunta que talvez contenha a resposta: por que, nesta guerra nas ruas, apenas policiais militares, e não policiais civis, estão sendo mortos? É certo que a Inteligência do Estado tem informações sobre isso. O secretário de Segurança nega, ou negava até outro dia, o que é óbvio. E, diante de câmeras e microfones atua como se fosse o Durango Kid. Enquanto o secretário atua, e nega o óbvio, vejam a ousadia dos ataques: um tenente trabalha na Casa Militar e na escolta do governador Geraldo Alckimin. As iniciais do seu nome são SCS. O tenente foi atacado; não no trabalho. Recebeu um tiro de raspão, no rosto, reagiu e matou o agressor. O Major Olímpio, deputado estadual pelo PDT, em ato na Praça da Sé disse com todas as letras: “Policiais militares estão sendo dizimados e não adianta negar e dizer que é lenda. O PCC está matando policiais”. O troco vem sendo dado nas ruas. Isso nunca funcionou. Nem no Velho Oeste, nem com as milícias no Rio de Janeiro, nem aqui, com os antigos e os novos esquadrões da morte. Isso só serve para produzir mais mortes, muitas vezes de inocentes. Serve também para eleger oportunistas, com discursos e práticas fascistóides. Fato é que, antes de tomar posse, o governador Geraldo Alckimin pensou em substituir o Secretário Ferreira Pinto. Um importante emissário do governo sondou o jurista Walter Maierovitch. Walter, antes até de começar a conversar, impôs algumas condições. Uma delas, nomear os comandos das polícias militar e civil. A conversa nem andou. E Ferreira Pinto ai está. O bang-bang, os assassinatos, avançam nas ruas de São Paulo. Até quando? Bob Fernandes é jornalista.
E ai você percebe, ao acordar, que nada parece mudar. Olha para o céu, e as mesmas nuvens estão lá. Quando não, cai aquela chuva, que te faz pensar, refletir. Tudo parece no mesmo lugar, muito bem colocado para assim funcionar.
Mas ao olhar para a sociedade, essa não funciona da mesma forma. Parece mudar constantemente e involuntariamente. Ela se transforma e evolui, mas nem sempre caminha pra frente.
Olhando ao redor, com atenção, é visível que um simples bom dia dado por alguém especial ao acordar, ou um olá gentil dado por ou a um estranho, não fazem mais o mesmo sentido. E as notícias, os fatos, as circunstâncias, não são tão animadoras como deveriam.
E os pensamentos tendem a seguir e a fluir com uma frequência decadente, como num filme de Woody Allen em tempo real. Ser feliz, a união familiar, acreditar em algo bom, tudo parece não existir mais ou estar muito distante do cenário concreto. Quem diz ter tudo o que precisa, hipócrita; os que buscam ter apenas o essencial e a felicidade, ingênuos.
Mas basta olhar com mais atenção. Buscar naquela caixinha, guardada no fundo da memória, a lembrança mais bonita. É só assistir o jornal com maior seriedade para presenciar que dentre tantas más notícias, existem atos divinos e muitas vezes solitários, de luta e guarra, de esperança e otimismo, de positividade e fé.
E é nesse momento que vale a pena ser melhor e fazer o melhor. E não desanimar quem está prestes a conseguir e nem duvidar de quem tenta com tanto afinco. E torcer para que haja um dia, em que todos, nem que seja por um momento, possam ter a satisfação de saber o que é a felicidade.
E pra saber o que é, só basta ser. Acho incrível quando, ao ler algo, tudo parece mais claro e simples de entender. Mais incrível ainda quando alguém nos traduz, tendo escrito algo há tanto tempo atrás. Fato, 'todos iguais, mas uns mais iguais que os outros'. Obrigada Clarice.
"Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão; tranquilidade e inconstância; pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer...
Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
Para aqueles, os de
perguntas "3D" (deselegantes, desnecessárias, desapropriadas) - se
namora, quando sairá o casório; se gorda, quando virá o bebê; quando magra, se
está doente; quando trabalha, se recebe bem; se desempregado, quando arrumará um
serviço - uma resposta curta e não tão grossa: na falta de assunto, melhor
ficar calado. Por que como já é sabido, quem fala o que quer, pode sempre ouvir
o que não estava esperando, mas era merecido. Pronto, 'falei'!
Quando falta inspiração, falta vontade. Falta. Mesmo com todas as diferenças, tudo o que sou e o que posso ser. Falta coragem. Saber o que você precisa, o que te faz falta. Falta. Falta noção, bom senso. Falta. Falta ser contrário. Avesso a tudo isso, está o que realmente falta. Escasso, escondido, falta amor. E falta o querer saber o que ele realmente significa, tentar entendê-lo. Falta sentimento, bons sentimentos. Falta deixar de achar que sabe, falta atitude, uma abordagem diferente. Isso tudo falta.
Existem dias em que o fácil discernimento não existe e a vontade de gritar parece eminente. E tudo o que sai da sua boca toma outras proporções, maiores e/ou completamente contrárias ao seu real sentido. E então você pode achar que é só mais um dia difícil, mais um dia para deixar tudo correr e passar rapidamente, mais um dia pare ser esquecido. Mas como que através de um estalo você se dá conta de que esse pode sim ser um dia perfeito, um dia de aprendizado e evolução. Afinal, se tudo pode estar ruim, triste ou confuso é porque você está sentindo. E sentir pode machucar, mas é melhor do que não sentir nada.
Luzes Brilhantes
Placebo
Volte a pensar nos dias
Em que eu fingia estar bem
Eu tinha muito o que dizer
Sobre a minha vida louca
Agora que encarei o vazio
Há tantas pessoas que eu aborreci
Eu tenho que achar um meio termo
Uma maneira melhor de viver
Então, eu não desisti
E todas as minhas escolhas, a minha boa sorte
Parecem ir e me deixarem presos
Numa prisão aberta
Agora eu tento me libertar
Num estado de empatia
Achar o verdadeiro inimigo
Erradicar esta prisão
Ninguém pode tirar isso de mim
E ninguém pode romper isso
Porque um coração que dói
É um coração que funciona
Um coração que dói
É um coração que funciona
Porque um coração que dói
É um coração que funciona
Ninguém pode tirar isso de mim
E ninguém pode romper isso
E talvez seja uma fantasia elaborada
Mas é o lugar perfeito para começar
Porque um coração que dói
É um coração que funciona
Um coração que dói
É um coração que... funciona.
Belíssima música do disco Battle For The Sun, de 2009
Inspirada por trilhas sonoras de novela inicio essa jornada, que anuncia ser curta mas não promete nada. Retrospecto anual, seja brando.
E o que é tudo isso diante da pólvora?
Inutilidade produtiva. Improdutividade profissional. Vamos entrar na Disneylândia, só que ao contrário. Meus sentimentos viveram muito neste ano e minha mente um dia pensou em não pensar. Para morrer basta estar vivo e a natureza mais uma vez mostrou que um dia ela sempre pode devolver o que lhe é feito de mal o tempo todo. Tsunamis, vulcões, furacões e muitas chuvas devastaram cidades no Japão e no Brasil. O câncer se revelou entre os famosos, mostrando para quem ainda não sabia quanto a luta contra essa doença é dolorosa. E o ser humano desistiu de 'SER' humano e aniquilou diversas vidas das formas mais barbares jogando bombas em barracas de protestantes ou entrando numa escola e atirando em criancinhas. Mais um ídolo se foi com 27 anos, o visionário do universo dos computadores nos deixa e a morte de um terrorista foi comemorada como num dia festivo qualquer. Enquanto o filme Tropa de Elite 2 acontece de verdade na favela da Rocinha, pedidos dos índios são ignorados no rio Xingú e as obras de Belo Monte começam. Enem é ridicularizado mais uma vez, universitários protestam por motivos banais e ladrões aprendem com filmes de hollywood e conseguem roubar 170 cofres de banco na avenida paulista. E como se não bastasse intolerância social, homofobia, racismo e bullyng, animais também são alvo de violência. Contudo, uma revolta árabe é desencadeada por um vendedor de frutas que ateou fogo no próprio corpo, o senhor Topa Tudo Por Dinheiro precisou vender seu banco e cientistas não desistem nunca de se acharem deuses da humanidade, e dizem estarem próximos de descobrir 'a partícula de Deus'. Mas rolou o primeiro casamento gay - ou a primeira união estável homoafetiva - registrado na Brasil, o Rock in Rio no Brasil depois de 10 anos, a tentativa de divisão do Estado do Pará fracassou graças à união do povo e sim o príncipe William se casou no casamento dos sonhos de 99 em cada 100 garotinhas felizes.
Eu continuo sem entender nada dessa vida, não sei o que me aguarda em 2012, morro de medo do fim do mundo (de palhaços, da menina Regan de O Exorcista e do boneco Chuck) e relacionamentos ainda me intrigam. Mas acho que isso tudo deve ser normal, então venha o que tiver que vir 'porque todo dia nasce novo em cada amanhecer'. E pode começar a estourar os fogos e a champanhe, porque um novo ano vem e o tempo passou mas a terra ainda não parou!
Ano em processo de finalização. Não posso dizer que estou triste, pois tenho vários planos para o que está por vir. Preparando a listinha de metas, e com a cabeça a ponto de bala. No bom sentido, é claro.
"Eu me permito mais liberdade e mais experiências.
vai ser diferente. Quantas vezes isso já foi dito? Prometo que não agirei mais dessa forma, juro que nunca mais caio nessa, se tiver outra chance farei melhor que da primeira vez. Isso te parece familiar?
Fiquei pensando em quantas vezes já pronunciei tais frases e quantas vezes cometi os mesmos erros. Com a medida em que os pensamentos foram fluindo, percebi que eram poucos anos de vida porém muitas tentativas.
No começo, logo que a memória me trouxera à tona todos esses momentos vividos, fiquei um pouco frustrada. Bateu: nossa, quanto tempo perdido, tentando e não concluindo. As lembranças trouxeram algumas consequências como insônia e nostalgia musical.
Uma taça de vinho e alguns clipes das Spice Girls depois, meu arquivo mental já não parecia mais tão ruim. Começou ficar tudo mais nítido quando percebi que o que importava não era a falta de conclusão e sim tudo o que eu vivi e aprendi com as tentativas.
Com a chegada da noite e de um fim de semana, fiquei ainda mais motivada porque respirei o ar de novas oportunidades. E percebi que não adiantaria eu jurar e dizer que farei diferente ao errar. Mas talvez agir, sem pronunciar tais frases.
E me lembrei de uma frase dita por várias vezes na infância, escrita várias vezes em diários e escancarada numa rede social: "É tão legal quando a gente menos espera e acontece um monte de coisas boas né?". Mal posso esperar, porque logo vem.
Para você, meu amor, e para a nossa capacidade de se renovar...