sábado, janeiro 28, 2017

Quão fundo?

Uma pessoa muito especial pra mim disse-me hoje:
— Se você soubesse o buraco em que estou.

E eu queria ter as palavras certas ou toda e qualquer ferramenta que pudesse tirá-lo do buraco onde ele está. Contudo, o que aconteceu foi uma mudez física e um barulho mental de ensurdecer. 
Há semanas, mais especificamente 2 semanas, tenho me deparado com pessoas e seus buracos. Penso que pessoas com buracos são unânimes. Não acho que seja uma regra mas sim a maior parte. Buracos de todos os tipos: financeiros, psicológicos, físicos. Pequenos e grandes buracos. Algumas me dizem diretamente outras apenas demostram a existência deles com atitudes. Em um desses encontros não planejados o buraco que a mim foi retratado era tão fundo que quase me puxou para dentro dele. Foi como se eu tivesse vendo a parte mais escura dentro deste buraco e ele quisesse me dizer algo. 
Não sei ao certo se ter um buraco é o problema. Parece-me que descobrir de que tipo ele é e do quão fundo ele está seja algo mais urgente. Buracos são preenchíveis mas é necessário saber com o quê. Passa-me pela cabeça que talvez esse seja o maior erro e motivo de tanto sofrimento. 
Buraco. Não sei se tenho vários ou um bem grande que tem ocupado muito espaço. Infelizmente, ainda não descobri como preencher e nem se será possível. Também não sei há quanto tempo faz parte de mim. Mas faz. E negá-lo não me tornou melhor. 
O buraco alheio que quase me sugou abriu meus olhos. Mostrou lados meus ainda desconhecidos que aparentemente precisava conhecer sozinha. Mostrou partes obscuras dos meus pensamentos mas também me mostrou uma ou outra possibilidade e direito de escolha. Quase todos nós temos ao menos um buraco e ele pode nos sugar ou mostrar algo. Precisamos escolher. Acredito que tenha conseguido entender, acredito que ainda esteja entendendo.

“Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. 
E se você olhar longamente para um abismo, 
o abismo também olha para dentro de você.” (NIETZSCHE)





*** Lar é onde o meu coração está! ***

quarta-feira, julho 15, 2015

Virando os 30 por entre os dedos...

Da última vez em que estive aqui não habitava o vasto e profundo universo balzaquiano. Contudo, os 29 já me colocavam em estado de agitação e ansiedade. Em fevereiro de 2014, escrevera sobre saudade e não foram necessários nem dois anos para que essa saudade cessasse (pode ler pela primeira vez ou de novo bem aqui). Seria a tão falada maturidade?
É difícil definirmos o status de maturidade a nós mesmos. Como sabermos se evoluímos mesmo ou não, se deixamos mesmo de ver as coisas da mesma forma ou se é só um momento. A única coisa que temos é a sensação. Durante uma conversa com uma amiga ainda este mês, entre pizzas e vinhos, falamos acerca de crescimento e ambas concordamos que após os tais 30 nos tornamos mais reservadas. A vontade de contar algo a alguém, a ansiedade por tornar público todo tipo de conquista ou alegria, o que buscamos nos relacionamentos, o que sentimentos; tudo isso agora fica mais dentro de nós, é bem mais difícil querer botar pra fora. Há também a dificuldade de encontrar alguém compatível para entender o que passamos, inclusive.
Então percebi que no lugar da saudade e de uma nostalgia um tanto quanto precoce entrou a profundidade da reserva pessoal, reserva dos sentimentos. Momento propício para que eu me conheça mais, entenda melhor cada passo que foi dado e cada um que virá a seguir. O que me acrescenta e o que eu posso jogar fora, o que já foi bom mas agora machuca, enfim, o que vale a pena. 
A conclusão deixou-me feliz por demais. Menos insegurança, mais aprendizado e com isso, mais vida. A era de balzac, ao contrário do que dizem, só me tem trazido luz.

"(...)São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam.
Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'. 
Ponto. Pra elas." Mario Prata

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Quase sem querer

Saudade. Falta. Aquela vontade de sentir algo que a gente nem mesmo sabe o quê. Aquela saudade de uma coisa que nem foi vivida. Quero a paixão avassaladora, quero a calmaria, quero os dias mais surpreendentes. Quero o beijo inesquecível, o abraço mais acolhedor, a demonstração mais entusiasmada de afeto. Quero a manhã dos melhores filmes e a noite mais iluminada. Quero a sorte e quero a busca e o encontro. Quero o mistério, quero as soluções. Quero um amor maior que eu, quero que minha vontade seja maior que eu. Quero ter e ser a melhor companhia. Quero quem me queira com todo o coração, com tudo o que eu sou. Quero falar e dizer tudo o que eu sinto e gritar aos quatro ventos o quanto a felicidade é mágica e difícil de ser encontrada. Quero cheiro, toque, alma, coração. Quero. Quero não ter vergonha de sentir, de pensar, de raciocinar. Quero não sentir medo de querer mudar o mundo. Quero o bem. Quero a paz, mas quero a turbulência das sensações. Quero querer. Quero o bem-querer. Quero a vida, como ela merece ser vivida. Quero tudo e mais um pouco.


*** Lar é onde o meu coração está! ***

quinta-feira, janeiro 23, 2014

Apenas mais uma

''Não entendo, apenas sinto..
Tenho medo de um dia entender..
e deixar de sentir.." (Clarice Lispector)


Você pode ter nascido há 10.000 anos atrás, mas nunca deixará de ser um mero peixinho no mar dos relacionamentos. E quando me refiro a relacionamentos, quero dizer todos, até aquela relação mantida com um bichinho de estimação. Relacionar-se é coisa bruta.

Passa dia e eu cada vez entendo menos. Se faz tudo pra ver o outro feliz, este reclama de falta de personalidade. Se decide ser sincero, recebe patadas referentes a prestar mais atenção em seus próprios defeitos. Chego a temer o dia em que entenderei pelo menos uma linha do processo das relações. Porque o dia em que eu conseguir identificar a melhor forma de relacionar-se sem que seja gerada uma guerra, estarei rica. E com certeza, com mais saúde.
Quando eu era criança, minha mãe sempre me dizia pra que eu não abrisse mão da minha personalidade. Que mesmo na dor, eu permanecesse certa de quem eu era. Bem, hoje vejo que talvez ela tenha esquecido de pensar no processo dos relacionamentos, inclusive a relação mantida com ela própria. Sabe aquela historia de que se você puxa de um lado, descobre de outro? Pois é, é exatamente assim. Se fala, falou demais. Se emudece, está se escondendo.
Dai você passa pelo processo de não conseguir relacionar-se bem com a família, com os amigos, muito menos com o namorado. A cara-metade? Esta tem a chave pra destruir qualquer teoria acerca de relacionamentos. Se eu pegar qualquer livro cujo título seja algo pelo menos parecido com 'Aprenda a ter a perfeita relação com o seu amor' eu compro pra usar de peso pra porta. Porque juro, das duas uma: ou o autor está vivendo uma mentira ou não está e talvez nunca tenha vivido de fato numa relacionamento.
Nas relações amorosas não há segredo assim como também não há regras. E muito menos é um jogo. Está bem longe de ser. É uma das mais difíceis relações e os erros cometidos são tantos que muitos desistem do objetivo principal que é se entregar a alguém. 
Por isso, mesmo não querendo usar esta palavra, desisti de entender. Não tenho a menor vontade de entender qual a forma exata de se ter um relacionamento perfeito (até porque, a perfeição depende de quem vê) justamente por achar que essa perfeição não existe. 
O que existe é o dia a dia, o aprendizado e a tentativa de não permanecer cometendo os mesmos erros. Dai, talvez até seja possível ter um pouco de paz no processo das relações. Mas todo mundo sabe que quando o mar está calmo demais algum ventinho virá pra chacoalhar as estruturas. 


*** Lar é onde o meu coração está! ***

sexta-feira, janeiro 17, 2014

Alô, alô: Planeta Terra chamando

Então o ano começou. Em minha mente ele realmente acabou de começar. Porque estava presa a pensamentos desnecessários e rodeada de frustrações momentâneas. E foi ai que David Bowie salvou-me. Bastou uma postagem de um amigo na rede social facebook para que eu enfim enxergasse o que há tempos eu já deveria ter visto. 'Commencing countdown, engines on...'É possível viajar e conhecer novos mundos mentais mas é preciso voltar. O tempo não vai parar, o que já foi feito não vai voltar. Não adianta chorar, não adianta estagnar. Não tenho mais tempo pra isso. Preciso sair da nave. Ir adiante. 'Now it's time to leave the capsule if you dare...'Tenho tanto pra ver e tanto a fazer. David Bowie salvou meu dia, salvou meu fim de semana, salvou meu ano. Claro, salvou meus ouvidos. Eu já não escutava novas (mesmo que antigas) canções, já não cantava, tantos nãos. Então, meu ano realmente começou. Eu posso não estar pronta para o que me aguarda, mas vou em frente assim mesmo.



David Bowie - Space Oddity


*** Lar é onde o meu coração está! ***