sábado, janeiro 28, 2017

Quão fundo?

Uma pessoa muito especial pra mim disse-me hoje:
— Se você soubesse o buraco em que estou.

E eu queria ter as palavras certas ou toda e qualquer ferramenta que pudesse tirá-lo do buraco onde ele está. Contudo, o que aconteceu foi uma mudez física e um barulho mental de ensurdecer. 
Há semanas, mais especificamente 2 semanas, tenho me deparado com pessoas e seus buracos. Penso que pessoas com buracos são unânimes. Não acho que seja uma regra mas sim a maior parte. Buracos de todos os tipos: financeiros, psicológicos, físicos. Pequenos e grandes buracos. Algumas me dizem diretamente outras apenas demostram a existência deles com atitudes. Em um desses encontros não planejados o buraco que a mim foi retratado era tão fundo que quase me puxou para dentro dele. Foi como se eu tivesse vendo a parte mais escura dentro deste buraco e ele quisesse me dizer algo. 
Não sei ao certo se ter um buraco é o problema. Parece-me que descobrir de que tipo ele é e do quão fundo ele está seja algo mais urgente. Buracos são preenchíveis mas é necessário saber com o quê. Passa-me pela cabeça que talvez esse seja o maior erro e motivo de tanto sofrimento. 
Buraco. Não sei se tenho vários ou um bem grande que tem ocupado muito espaço. Infelizmente, ainda não descobri como preencher e nem se será possível. Também não sei há quanto tempo faz parte de mim. Mas faz. E negá-lo não me tornou melhor. 
O buraco alheio que quase me sugou abriu meus olhos. Mostrou lados meus ainda desconhecidos que aparentemente precisava conhecer sozinha. Mostrou partes obscuras dos meus pensamentos mas também me mostrou uma ou outra possibilidade e direito de escolha. Quase todos nós temos ao menos um buraco e ele pode nos sugar ou mostrar algo. Precisamos escolher. Acredito que tenha conseguido entender, acredito que ainda esteja entendendo.

“Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. 
E se você olhar longamente para um abismo, 
o abismo também olha para dentro de você.” (NIETZSCHE)





*** Lar é onde o meu coração está! ***

quarta-feira, julho 15, 2015

Virando os 30 por entre os dedos...

Da última vez em que estive aqui não habitava o vasto e profundo universo balzaquiano. Contudo, os 29 já me colocavam em estado de agitação e ansiedade. Em fevereiro de 2014, escrevera sobre saudade e não foram necessários nem dois anos para que essa saudade cessasse (pode ler pela primeira vez ou de novo bem aqui). Seria a tão falada maturidade?
É difícil definirmos o status de maturidade a nós mesmos. Como sabermos se evoluímos mesmo ou não, se deixamos mesmo de ver as coisas da mesma forma ou se é só um momento. A única coisa que temos é a sensação. Durante uma conversa com uma amiga ainda este mês, entre pizzas e vinhos, falamos acerca de crescimento e ambas concordamos que após os tais 30 nos tornamos mais reservadas. A vontade de contar algo a alguém, a ansiedade por tornar público todo tipo de conquista ou alegria, o que buscamos nos relacionamentos, o que sentimentos; tudo isso agora fica mais dentro de nós, é bem mais difícil querer botar pra fora. Há também a dificuldade de encontrar alguém compatível para entender o que passamos, inclusive.
Então percebi que no lugar da saudade e de uma nostalgia um tanto quanto precoce entrou a profundidade da reserva pessoal, reserva dos sentimentos. Momento propício para que eu me conheça mais, entenda melhor cada passo que foi dado e cada um que virá a seguir. O que me acrescenta e o que eu posso jogar fora, o que já foi bom mas agora machuca, enfim, o que vale a pena. 
A conclusão deixou-me feliz por demais. Menos insegurança, mais aprendizado e com isso, mais vida. A era de balzac, ao contrário do que dizem, só me tem trazido luz.

"(...)São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam.
Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'. 
Ponto. Pra elas." Mario Prata

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Quase sem querer

Saudade. Falta. Aquela vontade de sentir algo que a gente nem mesmo sabe o quê. Aquela saudade de uma coisa que nem foi vivida. Quero a paixão avassaladora, quero a calmaria, quero os dias mais surpreendentes. Quero o beijo inesquecível, o abraço mais acolhedor, a demonstração mais entusiasmada de afeto. Quero a manhã dos melhores filmes e a noite mais iluminada. Quero a sorte e quero a busca e o encontro. Quero o mistério, quero as soluções. Quero um amor maior que eu, quero que minha vontade seja maior que eu. Quero ter e ser a melhor companhia. Quero quem me queira com todo o coração, com tudo o que eu sou. Quero falar e dizer tudo o que eu sinto e gritar aos quatro ventos o quanto a felicidade é mágica e difícil de ser encontrada. Quero cheiro, toque, alma, coração. Quero. Quero não ter vergonha de sentir, de pensar, de raciocinar. Quero não sentir medo de querer mudar o mundo. Quero o bem. Quero a paz, mas quero a turbulência das sensações. Quero querer. Quero o bem-querer. Quero a vida, como ela merece ser vivida. Quero tudo e mais um pouco.


*** Lar é onde o meu coração está! ***

quinta-feira, janeiro 23, 2014

Apenas mais uma

''Não entendo, apenas sinto..
Tenho medo de um dia entender..
e deixar de sentir.." (Clarice Lispector)


Você pode ter nascido há 10.000 anos atrás, mas nunca deixará de ser um mero peixinho no mar dos relacionamentos. E quando me refiro a relacionamentos, quero dizer todos, até aquela relação mantida com um bichinho de estimação. Relacionar-se é coisa bruta.

Passa dia e eu cada vez entendo menos. Se faz tudo pra ver o outro feliz, este reclama de falta de personalidade. Se decide ser sincero, recebe patadas referentes a prestar mais atenção em seus próprios defeitos. Chego a temer o dia em que entenderei pelo menos uma linha do processo das relações. Porque o dia em que eu conseguir identificar a melhor forma de relacionar-se sem que seja gerada uma guerra, estarei rica. E com certeza, com mais saúde.
Quando eu era criança, minha mãe sempre me dizia pra que eu não abrisse mão da minha personalidade. Que mesmo na dor, eu permanecesse certa de quem eu era. Bem, hoje vejo que talvez ela tenha esquecido de pensar no processo dos relacionamentos, inclusive a relação mantida com ela própria. Sabe aquela historia de que se você puxa de um lado, descobre de outro? Pois é, é exatamente assim. Se fala, falou demais. Se emudece, está se escondendo.
Dai você passa pelo processo de não conseguir relacionar-se bem com a família, com os amigos, muito menos com o namorado. A cara-metade? Esta tem a chave pra destruir qualquer teoria acerca de relacionamentos. Se eu pegar qualquer livro cujo título seja algo pelo menos parecido com 'Aprenda a ter a perfeita relação com o seu amor' eu compro pra usar de peso pra porta. Porque juro, das duas uma: ou o autor está vivendo uma mentira ou não está e talvez nunca tenha vivido de fato numa relacionamento.
Nas relações amorosas não há segredo assim como também não há regras. E muito menos é um jogo. Está bem longe de ser. É uma das mais difíceis relações e os erros cometidos são tantos que muitos desistem do objetivo principal que é se entregar a alguém. 
Por isso, mesmo não querendo usar esta palavra, desisti de entender. Não tenho a menor vontade de entender qual a forma exata de se ter um relacionamento perfeito (até porque, a perfeição depende de quem vê) justamente por achar que essa perfeição não existe. 
O que existe é o dia a dia, o aprendizado e a tentativa de não permanecer cometendo os mesmos erros. Dai, talvez até seja possível ter um pouco de paz no processo das relações. Mas todo mundo sabe que quando o mar está calmo demais algum ventinho virá pra chacoalhar as estruturas. 


*** Lar é onde o meu coração está! ***

sexta-feira, janeiro 17, 2014

Alô, alô: Planeta Terra chamando

Então o ano começou. Em minha mente ele realmente acabou de começar. Porque estava presa a pensamentos desnecessários e rodeada de frustrações momentâneas. E foi ai que David Bowie salvou-me. Bastou uma postagem de um amigo na rede social facebook para que eu enfim enxergasse o que há tempos eu já deveria ter visto. 'Commencing countdown, engines on...'É possível viajar e conhecer novos mundos mentais mas é preciso voltar. O tempo não vai parar, o que já foi feito não vai voltar. Não adianta chorar, não adianta estagnar. Não tenho mais tempo pra isso. Preciso sair da nave. Ir adiante. 'Now it's time to leave the capsule if you dare...'Tenho tanto pra ver e tanto a fazer. David Bowie salvou meu dia, salvou meu fim de semana, salvou meu ano. Claro, salvou meus ouvidos. Eu já não escutava novas (mesmo que antigas) canções, já não cantava, tantos nãos. Então, meu ano realmente começou. Eu posso não estar pronta para o que me aguarda, mas vou em frente assim mesmo.



David Bowie - Space Oddity


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sexta-feira, maio 24, 2013

Não são fogos de artifício, mas podem iluminar...

É maravilhoso começar o fim de semana com encanto e expressar apenas palavras de alegria. Eu acredito no poder da palavra e do pensamento positivo. Porém, também sei que o mal existe e que tem tentado dominar tudo o que existe. Quisera eu apenas poder comemorar que a sexta-feira chegou, mas hoje, eu não consegui. Precisei expressar o que o meu interior gritava. Não é pessimismo, muito pelo contrário. É vontade de que as coisas mudem e que quando houver mudança, que ocorra da melhor forma. E que venha forte, esquentando e saciando o coração apertado daqueles que ainda sentem algo ao receberem as notícias atuais. É preciso muita esperança num mundo no qual pontes não param de desabar, debates e discussões acerca da opção sexual alheia é tema constante, baratas evoluem, idosos e animais são vítimas de todos os tipos de violência, há cada vez mais assassinato de crianças, ônibus são incendiados semanalmente e cresce a cada dia o número de estupradores. 


"A esperança não murcha, ela não cansa, 
também como ela não sucumbe a crença. 
Vão-se sonhos nas asas da descrença, 
voltam sonhos nas asas da esperança."

-Augusto dos Anjos

Com a esperança que lateja, ao som de: Enquanto houver sol - Titãs

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quinta-feira, abril 04, 2013

Entre o retorno de saturno e o seu...

Da saga enfim entendi o que a música significa. E se não entendi, o sentido que ela fez pra mim, provavelmente fará pra outras pessoas. E da idade dos dilemas, das escolhas, das dúvidas, das renúncias, e das 29 etapas de amadurecimento, espero conseguir passar, melhor e mais forte.



            Versão acústica da música Retorno de Saturno, da banda Detonautas Roque Clube.

*** Lar é onde o meu coração está! ***

Do poço mais fundo...

E do limite de fundo, cada um tem o seu conhecimento. O conceito de fundo depende de onde você está. Essa abertura profunda cavada no solo, tem uma dimensão diferente pra cada um, pra cada estágio. Quando dizem 'o buraco é mais embaixo' não se percebe nem de longe que para o outro ele pode ser muito mais em cima, ou nem existir. Existe um provérbio chinês que diz 'lembre-se de cavar o poço bem antes de sentir sede'. Se houver um bom planejamento e se tudo for feito conforme manda o figurino, o tal abismo pode nem se abrir. Mas inúmeras vezes, mais do que deveria, essa cavidade pejorativa aparece. Acredito que ninguém gostaria nem de estar no poço. Entretanto, estando nele, é a vontade de sair que motivará. O arrependimento por ter se deixado cair ali. A vontade de querer algo além, o saber que você merece mais. O anseio de escapar do poço dará a saída. Mas sem a vontade, o poço ficará cada vez mais fundo, cada vez mais difícil  de sair. Do fundo poço, cada um tem sua própria dimensão. Contudo, acredito que ao sair, tudo deve ficar mais claro; a luz no fim do túnel também existe no alto do poço.

"Mas os poços da fantasia 
acabam sempre por secar 
e o contador de histórias, cansado, 
tentou escapar como podia: o resto amanhã... 
já é amanhã."
Lewis Carroll

Cavando ao som de: All Over You - Live

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quinta-feira, março 28, 2013

Nem tão de repente assim...

29, com todas as suas virtudes e incertezas. Há quem diga que a idade não modifica nada em certos estágios da vida, mas eu não acredito nisso. Penso que a mudança sempre ocorre, estando nesta, inclusive, o quê da questão. Se nada mudasse, por que a mudança de ano? Grandes coisas vão surgir. Sei do tamanho, mas não da intensidade. De algumas tenho medo, por outras anseio. E quanto a mudança - "Deixa ser como será...".

"O tempo que tudo transforma, 
transforma também o nosso temperamento. 
Cada idade tem os seus prazeres, 
o seu espírito e os seus hábitos." 
(Nicolas Boileau)

Vintenoviando ao som de: Retorno de Saturno - Detonautas
PS: mas pensando em 29 da Legião Urbana.

*** Lar é onde o meu coração está! *** 

sexta-feira, março 01, 2013

Twenty-twenty-twenty-four hours to go


Em combate ao desânimo vem aquela vontade de viver. Aquela ânsia de fazer, não sei o quê, mas fazer. Muitas vezes o dia parece não passar, mas nada foi feito neste dia de proveitoso. Mas na verdade, isso só acontece quando há inércia. A apatia estagna o tempo, estraga e até destrói. Portanto, vivamos esse momento que só acontece uma vez.

"As próximas 24 horas vão ser de fundamental importância na sua vida. Esqueça o que você foi no passado. Isto não conta, porque estes momentos já foram vividos e estão na memória do tempo. Mesmo que você conheça suas outras encarnações, ou tenha descoberto a pista para solucionar traumas infantis, esqueça o passado. Esqueça o futuro. Primeiro, porque Deus tem sua própria maneira de escrever nossos destinos, e não adianta tentar adivinhar o que passa em Sua cabeça. Segundo, porque – até o dia de amanhã – você só tem 24 horas para viver.Tenha coragem de aproveitá-las, fazendo coisas que você sempre quis. É para isto que você está no mundo. É para isto que Deus lhe dá, todos os dias, às 24 horas mais importantes de sua vida."
- Das 24 horas - Paulo Coelho -

*** Lar é onde o meu coração está! *** 

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Dispenso a previsão...

Bastaria o alarde, junto à aspereza que machuca e incomoda, tal qual uma noite mal dormida. E como consequência, haveria ainda mais que um vazio, se possível fosse. Mas se a felicidade acompanha uma caixa de bombons, a intensidade se acomoda numa cegonha, ou em qualquer outro caminhão. E se a escuridão cega, ela também acorda, como aquele bom café bem escuro servido pela manhã. A esperança acompanha a intensidade, por ser tão forte quanto a mesma. Quando ambas caminham juntas, o instante mais fatigante se torna brando e o novo dia desponta como naqueles filmes clichês. Dai, a vanglória, a ostentação da dor, se torna desnecessária, tanto quanto ou mais que o martírio.

Brandamente ouvindo: O velho e o moço - Los Hermanos

*** Lar é onde o meu coração está! ***

sábado, fevereiro 16, 2013

Intento

E procurando o que realmente quero, encontrei uma palavra perdida. Descobri, sem maiores novidades, que  eu quero mais é ser feliz. Sem ambicionar algo, ambição nunca foi meu forte. No passado, revoltada, escrevi sobre ela e circunstâncias que a envolvem - a palavra sempre me assustara. http://raroseafins.blogspot.com.br/2010/02/ambicao.html.Na busca, percebi que a palavra  ambição continua não fazendo parte nem de meu vocabulário quanto mais de meus dias. Contudo, outra me tomou pelas mãos: objetivo. Com o encontro vieram também as dúvidas e os medos expostos quando se traça uma meta. O percurso do escopo tende a ser árduo, mas os obstáculos provavelmente farão com que tudo seja ainda mais recompensador no final.

"Não basta dar os passos que nos devem levar um dia ao objetivo, cada passo deve ser ele próprio um objetivo em si mesmo, ao mesmo tempo que nos leva para diante." (Johann Goethe)
Objetivando ao som de: A Estrada - Cidade Negra

*** Lar é onde o meu coração está! *** 

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Tudo de bala? Eu quero é tudo de sexta-feira.

O sábado até pode ser a rosa da semana, como já exaltaria Clarice, mas a sexta-feira pode ser o jardim todo. A sexta-feira é repleta de estágios. Ao acordar, ela é cansativa, pesada. A semana inteira nas costas, toda aquela resposabilidade diária que te fez perder sono, perder paciência, perder ritmo. Mas você levanta e segue com a rotina. Afinal, o seu ganha pão está ali, nesse arrasto. À tarde, a sexta-feira já começa flertar com você. A hora do almoço já se mistura com descanso e planejamento para o entardecer. O dia já não parece mais tão longo, as horas já não parecem mais estagnadas. Ao chegar da alvorada, tudo muda. O arrebol toma conta de todo o pensamento e não há mais nada que te prenda. O sábado pode ser especial, mas como já gritaria Nelson, "a sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica". Dai, na hora de fazer os pedidos, lembre-se da sexta-feira. Se me perguntarem, categórica direi: me vê um punhado de sexta-feira e pode ficar com o troco.

Uma ode à sexta-feira, meditando: Satisfaction - Rolling Stones

*** Lar é onde o meu coração está! ***

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Quimera

E quando tudo parece desmoronar, eis que algo te puxa e te segura. O "algo" depende de e do que cada um acredita. Mas a questão é que esse algo não te deixar desistir. Esse quê de utopia que carrego comigo é um dos meus "algos". Dentro desses "algos", tenho alguns alguéns também. O medo constante de que um dia eles não estejam por perto já me correu por dias o sono. A falta que possivelmente eles farão me coloca em constante estado de iminente inércia. Se utopia é uma realidade em potência, então a minha fantasia é essa: o sentimento de que eles sempre estarão comigo de uma forma ou de outra. Isso me conforta, mesmo que em estreita escala. Eles são tão importantes pra mim que me fazem burlar a língua portuguesa, numa busca desenfreada por uma palavra que os defina. Contudo, percebi que a definição de o quão importante eles são pra mim ainda terá muito que ser explorada. E são esses "algos" e alguéns que me motivam a sempre querer alcançar o que parece impossível.

"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
[Das Utopias - Mario Quintana]
Buscando realizar o irrealizável ao som de: Amor de Índio - Beto Guedes

*** Lar é onde o meu coração está! *** 

terça-feira, janeiro 15, 2013

13

Passado metade do primeiro mês do ano, já é possível fazer a tal reflexão sem ser piegas. Será? Minha ansiedade por este ano se equipara à criança que viu o bolo de aniversário mas ainda não pode comê-lo por não estar na hora dos parabéns. Rolam os sentimentos básicos, aqueles que atiçam os sentidos. Medo, euforia, "choro compulsivo, riso histérico", entre outros. Estar mais perto de entender o que sou e o que sinto é assustador, mas ao que parece, quanto mais o tempo passa, menos é possível entender. Sigo incompreendendo e tentando entender. Mas sigo, cantando e dançando quando dá vontade, mais saltitante que aquelas balas que explodem na boca. E vem comigo quem pode, e se apresente quem quer.


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(Novas Poesias Inéditas - 
Alberto Caeiro)
Entre saltos e outras coisitas, ao som de: Eu quero é botar meu bloco na rua - Sérgio Sampaio

*** Lar é onde o meu coração está! ***

sábado, novembro 17, 2012

Entre propósitos e prioridades...


"O propósito moral da vida de um homem é a conquista de sua própria felicidade. Isto não significa que ele seja indiferente a todos, que a vida humana não tenha nenhum valor para ele e que não tenha motivo para ajudar outros em uma emergência. Mas sig­nifica, isto sim, que não subordina a sua vida ao bem-estar de ou­tros; não se sacrifica pelas necessidades deles; que o alívio do so­frimento deles não é sua preocupação prioritária; que qualquer aju­da que ele dê é uma exceção, não uma regra, um ato de generosi­dade, não de obrigação moral." - Ayn Rand

quinta-feira, novembro 08, 2012

Até quando?

Fico pensando se brasileiro é inocente ou se prefere 'se fazer de besta' ou ainda se apenas tem memória curta mesmo. Não consigo entender, em meio ao fogo cruzado entre policiais militares e uma facção criminosa, que ainda tenha gente pensando apenas em direitos humanos, de quem deve ou não ter. Jornal mostra que pesquisas estão sendo feitas a fim de buscar formas de controlar a violência, principalmente a que tem matado policiais. Como se violência fosse algo palpável e tivesse vontade própria. Fica muito mais difícil entender, enquanto tudo isso acontece, que ocupando o mesmo espaço de tais circunstâncias, fique a tal ofensa que a cantora Rita Lee teria feito aos policiais miliares em Sergipe.


Opinião ## Por trás da guerra nas ruas de São Paulo

Por Bob Fernandes*

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O número de homicídios na guerra entre o PCC e a PM paulista aumentou nos últimos meses: acordo rompido

Noventa e oito policiais militares assassinados em São Paulo neste ano. Só 5 deles mortos trabalhando. Quando a morte é fora do trabalho, a família não recebe benefícios. Neste ano, em todo o Estado, já foram assassinados mais de 3.330 cidadãos. Só na capital, até setembro, 919 homicídios.
Antonio Ferreira Pinto é o Secretário de Segurança. Numa dessas coletivas para a imprensa, há pouco tempo, ele disse que os assassinatos de PMs não tinham “nenhuma vinculação com a facção”. A “facção”, como diz o secretário sem citar o nome, é o PCC.
Não há quem não saiba que está em andamento uma guerra particular entre o PCC e a PM. Uma PM, pelo que se sabe, com divisões; digamos assim. Segundo oficiais com quem falei, teriam sido rompidos, de parte a parte, “códigos de conduta”.
Há quem negue a existência de tais códigos, mas eles existem: a polícia tem seus códigos não escritos e os criminosos também têm. E ambos têm um código em comum. Pela quantidade de mortos, é evidente que algum tipo de código, ou de acordo – ou de acordos – foi rompido.
Criminosos matam de um lado? Vem a resposta: alguns, quase sempre em motos, com munição de uso exclusivo de forças policiais, dão o troco e também matam. Fica no ar uma pergunta que talvez contenha a resposta: por que, nesta guerra nas ruas, apenas policiais militares, e não policiais civis, estão sendo mortos? É certo que a Inteligência do Estado tem informações sobre isso.
O secretário de Segurança nega, ou negava até outro dia, o que é óbvio. E, diante de câmeras e microfones atua como se fosse o Durango Kid. Enquanto o secretário atua, e nega o óbvio, vejam a ousadia dos ataques: um tenente trabalha na Casa Militar e na escolta do governador Geraldo Alckimin. As iniciais do seu nome são SCS. O tenente foi atacado; não no trabalho. Recebeu um tiro de raspão, no rosto, reagiu e matou o agressor.
O Major Olímpio, deputado estadual pelo PDT, em ato na Praça da Sé disse com todas as letras: “Policiais militares estão sendo dizimados e não adianta negar e dizer que é lenda. O PCC está matando policiais”.
O troco vem sendo dado nas ruas. Isso nunca funcionou. Nem no Velho Oeste, nem com as milícias no Rio de Janeiro, nem aqui, com os antigos e os novos esquadrões da morte. Isso só serve para produzir mais mortes, muitas vezes de inocentes. Serve também para eleger oportunistas, com discursos e práticas fascistóides.
Fato é que, antes de tomar posse, o governador Geraldo Alckimin pensou em substituir o Secretário Ferreira Pinto. Um importante emissário do governo sondou o jurista Walter Maierovitch. Walter, antes até de começar a conversar, impôs algumas condições. Uma delas, nomear os comandos das polícias militar e civil. A conversa nem andou. E Ferreira Pinto ai está.
O bang-bang, os assassinatos, avançam nas ruas de São Paulo. Até quando?

Bob Fernandes é jornalista.

quinta-feira, junho 21, 2012

Que todos sintam...

E ai você percebe, ao acordar, que nada parece mudar. Olha para o céu, e as mesmas nuvens estão lá. Quando não, cai aquela chuva, que te faz pensar, refletir. Tudo parece no mesmo lugar, muito bem colocado para assim funcionar.
Mas ao olhar para a sociedade, essa não funciona da mesma forma. Parece mudar constantemente e involuntariamente. Ela se transforma e evolui, mas nem sempre caminha pra frente. 
Olhando ao redor, com atenção, é visível que um simples bom dia dado por alguém especial ao acordar, ou um olá gentil dado por ou a um estranho, não fazem mais o mesmo sentido. E as notícias, os fatos, as circunstâncias, não são tão animadoras como deveriam. 
E os pensamentos tendem a seguir e a fluir com uma frequência decadente, como num filme de Woody Allen  em tempo real. Ser feliz, a união familiar, acreditar em algo bom, tudo parece não existir mais ou estar muito distante do cenário concreto. Quem diz ter tudo o que precisa, hipócrita; os que buscam ter apenas o essencial e a felicidade, ingênuos. 
Mas basta olhar com mais atenção. Buscar naquela caixinha, guardada no fundo da memória, a lembrança mais bonita. É só assistir o jornal com maior seriedade para presenciar que dentre tantas más notícias, existem atos divinos e muitas vezes solitários, de luta e guarra, de esperança e otimismo, de positividade e fé.
E é nesse momento que vale a pena ser melhor e fazer o melhor. E não desanimar quem está prestes a conseguir e nem duvidar de quem tenta com tanto afinco. E torcer para que haja um dia, em que todos, nem que seja por um momento, possam ter a satisfação de saber o que é a felicidade. 

"(...) Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter"
(Engenheiros do Hawaii)
*** Lar é onde o meu coração está! ***

quarta-feira, junho 20, 2012

Do princípio de ser...

E pra saber o que é, só basta ser. Acho incrível quando, ao ler algo, tudo parece mais claro e simples de entender. Mais incrível ainda quando alguém nos traduz, tendo escrito algo há tanto tempo atrás. Fato, 'todos iguais, mas uns mais iguais que os outros'. Obrigada Clarice.
"Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão; tranquilidade e inconstância; pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer... 

Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)

 *** Lar é onde o meu coração está! ***

Quando as ferraduras aparecem...

Para aqueles, os de perguntas "3D" (deselegantes, desnecessárias, desapropriadas) - se namora, quando sairá o casório; se gorda, quando virá o bebê; quando magra, se está doente; quando trabalha, se recebe bem; se desempregado, quando arrumará um serviço - uma resposta curta e não tão grossa: na falta de assunto, melhor ficar calado. Por que como já é sabido, quem fala o que quer, pode sempre ouvir o que não estava esperando, mas era merecido. Pronto, 'falei'!