quarta-feira, agosto 05, 2026

A vida acontecendo...

"Não tenhamos pressa,
mas não percamos tempo."
[José Saramago]


Já é agosto. Tem noção?
É difícil não se pegar pensando na passagem do tempo. E também não pensar que só de estar pensando que o tempo tá passando, ele já passou, neste exato momento em que estou aqui pensando. Coisa doida. Eu doida.
Se eu penso demais, a ansiedade me consome. Estou fazendo o que tenho que fazer? Já podia ter feito, né,  e agora? Posso parar o tempo?
Em algumas culturas, a ansiedade é estar com a mente no futuro ao invés do presente. Medo do futuro, do imprevisível, apego ao controle. Eu sei que não é bom mas vez ou outra acontece. O difícil é encontrar alguém que não seja ou não esteja ansioso. Bom não é.
Posso tentar usar de todas as técnicas: atividade física (têm dias que piora a ansiedade), meditação, respiração consciente (descobri que não sei respirar), medicamentos (prefiro não). Contudo, o fato é que sim o tempo está passando, o futuro não pode ser controlado e tudo isso faz parte de estar vivo. 
Penso (quase nada) que talvez eu tenha esquecido um pouco sobre o que é estar vivo. Vida. E não estou romantizando a vida não. A vida já me doeu muito. Acho que todo dia, pelo menos por 1 minutinho que seja, ela me dói. Ela dói justamente porque é vida, sentida fisicamente. E na mente também, claro.
Já o tempo é possível de controlar. Não a medida dele mas a forma como podemos utilizá-lo e vivê-lo. Ele é passível de mudança. Frisando mais uma vez: sem romantizar, apenas viver respeitando o tempo. 
Já é agosto e ele meio que dura uns três meses. Principalmente financeiramente (socorro, falta dim dim mas não falta dia). Porém, logo menos ele também já passou. Julho durou uns dois meses e já foi.
E quando ele terminar e eu conversar comigo mesma fazendo o dump do mês e pensar, já terminou, será que eu terei vivido o tempo ou o tempo terá me vivido?
Tenho um agosto todinho me trazendo essa resposta. ⌛🍂🌻

Pensando ao som de : The End - The Doors (não propositalmente) 👀

"Apressa-te a viver bem
e pensa que cada dia é,
por si só,
uma vida."
[Sêneca]

quarta-feira, maio 13, 2026

O cessar da vida

Como seria enxergar a morte sem que ela fosse tão fúnebre? Queria ter esse poder. Ao ser informada sobre o falecimento da avó do Tiago, após abraçá-lo para oferecer consolo e dessa forma já me consolar também (não sei lidar com mortes e nem com as notícias sobre) algumas coisas passaram pela minha cabeça. Primeiro, pensei na minha sogra. Putz, agora ela também não tem mais pai e nem mãe. Tristeza que se possível, não queria que ninguém passasse. Aí pensei na própria dona Olália. Tão tranquila, transmitia tanta paz. Parecia que com aquela paz teria alguns vários anos de vida mesmo tendo mais de 80 anos. Pensei na minha mãe também, que estava fazendo 8 anos de falecimento neste 11 de maio. Lembrei o quanto ainda me doía aqui e de sempre me perguntar se essa dor um dia vai passar. Que coisa maluca é a morte. Não tem data pra acontecer. Quando a minha mãe faleceu ninguém esperava que aquele fosse o dia. Ela já havia sentido dores. Já havia ficado internada anteriormente por pancreatite e não se foi. Porque aquele seria o dia? Detesto velórios e tento evitá-los sempre que consigo. Mas nesse não tinha como não ir. Mesmo sendo algo que me toma de uma forma muito intensa eu queria estar presente. Dona Olália sempre foi muito gentil e carinhosa comigo. Mandava aúdios fofíssimos de bom dia. Eu precisava estar lá. Por ela e também pela minha sogra. E pelo Tiago. Mas eu sabia que isso ficaria na minha mente depois e que eu teria que trabalhar isso depois. Não consegui dormir direito à noite, acabei perdendo o sono em algum momento (também por causa da alergia e porque estava com a minha tia e ela fazia barulho enquando comia amendoim na cama). Ao pesquisar morte no google, a IA trouxe uma definição até que interessante, segundo a wikipedia.

"A morte é definida cientificamente e culturalmente como a cessação definitiva das atividades biológicas e da vida. Representa o fim da existência material de um ser, sendo um processo irreversível, mas também pode simbolizar o encerramento de um ciclo, uma separação (física ou espiritual) e a finitude inevitável da vida."

Fim. É fim mesmo? E como lidar com esse fim, sem saber quando ele vai chegar? Eu acho que a morte vira uma chave na vida de quem perde. E essa virada de chave também varia de acordo com quem é esse ente que se foi. Mãe é um negócio inexplicável. Perder pai também é horrível, uma sensação de dor física sabe. E com a mãe, parece que é um rompimento de ciclo, um encerramento. Aquela pessoa que você era antes e a que você se torna depois que a mãe morre. É como se a partir dali não há mais quem te valide essencialmente enquanto pessoa. Agora é com você e só. Encerramento de ciclo. Mas como sabemos quando o nosso relógio vai dar esse toque e despertar para o fim? Podemos saber quando? Sentir quando?

"O próprio viver é morrer, 
porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, 
nisso, 
um dia a menos nela."
[Fernando Pessoa]

🍂💔

quarta-feira, abril 22, 2026

Como Drummond sentiu os sentimentos do mundo?

Então tem sido uma constante. As postagens estão sendo uma vez ao ano já que a última foi em 2025 e o texto num contexto meio doloroso. A ideia de voltar foi também romper essa sequência que vinha seguindo e como ainda não chegamos a junho (última postagem) darei então como rompida.
Uma pena que o contexto permanece. Não volto a escrever pra dizer que estou feliz. E me sinto um tanto ingrata nesse sentido pois pedi tanto pra ter o que tenho hoje, que o mínimo que deveria ocorrer era a felicidade diária. Mas algo me consome. Eu acordo grata por respirar e amanhecer mas algo não parece certo. A sensação tem sido angustiante. E a sensação já me vem faz algum tempo. Ao que parece aumentou desde o mês passado, mais especificamente na semana do meu aniversário. E mesmo quando eu tento estar disposta e busco me animar, algo acontece e eu meio que volto à estava zero. Segunda-feira chorei litros sentindo um tantão de coisa ao mesmo tempo. Um misto de sensação de abandono com abandonar, de encerramento de algo que nem sei. Não entendo mas sinto. E esse sentir é muito. Espero que a próxima ideia que me traga pra cá seja mais viva ou pelo menos esperançosa. Mas ainda mais que isso, espero que eu siga retornando. Quero que a escrita volte a ser rotina nos meus dias. Quero voltar a trazer em letras o que o meu coração vem dizendo. Espero que sim mas por enquanto, que bom que aqui estive. 

"Tantas vezes, tantas, como agora, 
me tem pesado sentir que sinto – sentir como angústia só por ser sentir, 
a inquietação de estar aqui, a saudade de outra coisa que se não conheceu, 
o poente de todas as emoções… Ah, quem me salvará de existir? 
Não é a morte que quero, 
nem a vida: 
é aquela outra coisa que brilha no fundo da ânsia…" 
[Fernando Pessoa]
🍂

segunda-feira, junho 09, 2025

Mais uma vez

"Haja hoje para tanto ontem."
                                             Paulo Leminski

 Sabe aquela conversa sobre o tempo passar voando? Parece papinho de corredor de mercado mas não é uma mentira. Afinal a última vez em que estive por aqui foi há pouco mais de 1 ano e nem percebi. E relendo os meus textos, a cada retorno meu, voltei com uma novidade. A maioria não tão boa ou péssima. Em um ano não somos mais as mesmas pessoas e nem estamos mais no mesmo lugar. No caso rolou estabilidade profissional, o que fez com que o meu emocional ficasse bem menos agitado. Mas alguns acontecimentos chacoalham a gente e é como se perdêssemos a noção de dias e horas. Parece que foi ontem que eu estava tão feliz com a minha última realização e parecia que nada mais me abalaria. Mas bastou a minha tia Tota não estar bem de saúde pra eu perder as pernas, os braços, o bom senso. 

O quão frágil são as nossas estruturas e as nossas emoções? E o tempo, como lidamos com ele?

Voltei pra cá por saudades e vontade de ficar. Mas tem o negócio do tempo. E a instabilidade das emoções e inconstância das situações. Querer a gente quer mas não basta querer, tem que ter as 'manhas'. 

Não sei ao certo se entendi o que escrevi aqui. Mas como foi o retorno, vou me dar o benefício da dúvida e a licença poética para loucura e devaneios. Espero permanecer. 🍂🍁⌛


"O tempo não para nem volta atrás
justamente para que sempre sigamos em frente!"
Augusto Branco



quarta-feira, janeiro 31, 2024

Volta como se não tivesse ido

 "Um fim de mar colore os horizontes."
                                                            Manoel de Barros

E é num 31 de janeiro, findando o primeiro mês do ano, que algo me retornou até aqui. Antes tarde do que nunca estou de volta ao espaço que do qual nunca teria ter saído. Mas pudera, eu não estive muito dentro de mim ultimamente. Foi entre buscas por especializações, exercícios de autoconhecimento e envio de currículos que veio na mente:  COMO ESTÁ O SEU BLOG E POR QUE VOCÊ NÃO ESCREVE MAIS NELE?

Na primeira busca, meio sem jeito, porque nem lembrava mais como adentrar esse mundinho aqui tomei um susto. Digitei errado o endereço (só percebi depois de um tempinho) e apareceu outro blog. Logo pensei, poxa, perdi tudo o que pensei durante um bom tempinho e nem tive tempo de decidir se gostaria de continuar ou não. Estava quase conformada, pouco quase inclusive. Mas daí me veio que ele ficava no blogger e puff, lá estava ele. 😍

Resolvi atualizar com um texto, pra não ter chance dele sumir de jeito nenhum. Não li nada do que escrevi anteriormente, confesso que me assusta um pouco me deparar com os meus eus. Mas espero com esse retorno me conectar com o que fui para que assim isso me auxilie no que eu posso ser. Nada vem por acaso, não é mesmo?


"Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas
Atiro a rosa do sonho nas tuas mãos distraídas."
(Mario Quintana)


quinta-feira, maio 17, 2018

Obituando a mente.

Desde sexta-feita (11 de maio) que ao mesmo tempo em que me vi num filme de drama cult também não parei pra sentir a situação. Começo a achar que cada vez que repito que a minha mãe morreu é para o meu próprio convencimento. Ontem, ao acordar, lembrei de tudo o que tinha que fazer e pedi a tal força que todos têm me desejado desde o velório. Falei com Deus, deitei na cama da minha mãe e falei com ela também. Pedi um help para os dois. Aí saí para os afazeres cujo primeiro seria ir ao cartório de registro para registar a certidão de óbito da mamãe. Nem nos meus piores pesadelos eu me imaginei nessa situação, vivendo esse dia. Enquanto caminhava até o cartório fiquei pensando nos filmes de terror que já assisti. 'Todos fichinha', acabei até falando em voz alta (há tempos que os pensamentos saem em voz alta e eu já não me importo se tem alguém olhando). Ouso pensar que dificilmente nesta vida algum filme vai me fazer perder o sono de novo. Tomara que sim porque aí eu estarei perdendo o sono por uma fantasia e não por causa das realidades como tem sido ultimamente. Tá, divaguei. Voltando ao assunto, cheguei no cartório. Peguei a senha, sentei e na falta do que fazer comecei a pensar em várias coisas. Loucura a andança da vida. Sentados estavam casais que iriam casar, mamães com bebês que acabaram de nascer pra registrar e uma ou duas pessoas num mesmo momentinho que eu, tratando de morte. Tudo ali, no mesmo rolê. Minha senha foi chamada e enquanto a funcionária pegava documentos da minha mãe e registrava tudo pensei: 'Olha que coisa, minha mãe já teve certidão de nascimento, certidão de casamento e agora vai ter uma de óbito. Ela vai deixar de ser várias coisas e vai ser só um papel'. Pensei isso porque a funcionária me disse que depois de várias burocracias, na maior parte dos lugares, o único documento que vai interessar é a certidão de óbito dela. Quando obviamente estava começando a chorar (que no meu caso flui naturalmente) fui interrompida por perguntas pessoais da funcionária. Achei da hora porque parei de pensar e pude falar da minha mãe viva. Coisa boa. Até sorri. Uma tarefa finalizada. Uma burocracia a menos e um lugar a menos para ter que 'obituar' oficialmente a minha mãe.

terça-feira, maio 15, 2018

Sobre o pior dia da minha vida

Há tempos que escrevo cada vez mais esporadicamente aqui no meu cantinho. Mas pelo menos, cada vez que voltava, eu até que estava diferente mas a vida parecia a mesma. A última vez em que passei por aqui foi em janeiro do ano passado (2017). Ao voltar sinto um frio na barriga pelo que vou escrever porque ainda custo acreditar. Estou voltando a escrever aqui pra tentar colocar pra fora alguma coisa que diminua a perturbação que está sendo ter perdido a minha mãe.
Desde sábado (12), dia seguinte ao seu falecimento tudo está estranho. A impressão que eu tenho é que tudo caminha menos eu. Sinto-me em rotação lenta. Tento não parar pra pensar pra ver se ando como a vida está andando mas não adianta. Minha mente não acompanha. Ainda não consigo interpretar o que estou sentindo. Poderia dizer que é um vazio mas eu sinto algo. Poderia dizer que é saudade mas eu ainda não acredito que ela foi embora. Então é tudo confuso. Desde ontem tenho lido sobre luto e coisas afins mas não me identifico com nada. Não sei se estou em luto. Acho que não deu tempo. A vida, aquela que minha mãe perdeu, não me dá tempo. Não me dá tempo de processar nada porque ela, a vida não para mesmo. Ao menos para a minha mãe que aparentemente parou. Continuo repetindo, é confuso. Tanto que estou escrevendo sem pensar duas vezes porque tudo o que está saindo do teclado sai sem filtro, sai sem nexo, sai sem freio. Pretendo escrever mais pra quem sabe entender algo. Pra quem sabe entender o que eu sinto se é que sinto. Pretendo escrever pra colocar pra fora porque até o exato momento ainda não consegui falar com sinceridade pra ninguém a respeito do que estou sentindo. A vida, aquela que minha mãe perdeu, também não me deu essa oportunidade ainda. Por enquanto eu tenho que ser forte. É só o que eu ouço. Parece que é o que tenho que ser. A vida segue já eu não sei.

sábado, janeiro 28, 2017

Quão fundo?

Uma pessoa muito especial pra mim disse-me hoje:
— Se você soubesse o buraco em que estou.

E eu queria ter as palavras certas ou toda e qualquer ferramenta que pudesse tirá-lo do buraco onde ele está. Contudo, o que aconteceu foi uma mudez física e um barulho mental de ensurdecer. 
Há semanas, mais especificamente 2 semanas, tenho me deparado com pessoas e seus buracos. Penso que pessoas com buracos são unânimes. Não acho que seja uma regra mas sim a maior parte. Buracos de todos os tipos: financeiros, psicológicos, físicos. Pequenos e grandes buracos. Algumas me dizem diretamente outras apenas demostram a existência deles com atitudes. Em um desses encontros não planejados o buraco que a mim foi retratado era tão fundo que quase me puxou para dentro dele. Foi como se eu tivesse vendo a parte mais escura dentro deste buraco e ele quisesse me dizer algo. 
Não sei ao certo se ter um buraco é o problema. Parece-me que descobrir de que tipo ele é e do quão fundo ele está seja algo mais urgente. Buracos são preenchíveis mas é necessário saber com o quê. Passa-me pela cabeça que talvez esse seja o maior erro e motivo de tanto sofrimento. 
Buraco. Não sei se tenho vários ou um bem grande que tem ocupado muito espaço. Infelizmente, ainda não descobri como preencher e nem se será possível. Também não sei há quanto tempo faz parte de mim. Mas faz. E negá-lo não me tornou melhor. 
O buraco alheio que quase me sugou abriu meus olhos. Mostrou lados meus ainda desconhecidos que aparentemente precisava conhecer sozinha. Mostrou partes obscuras dos meus pensamentos mas também me mostrou uma ou outra possibilidade e direito de escolha. Quase todos nós temos ao menos um buraco e ele pode nos sugar ou mostrar algo. Precisamos escolher. Acredito que tenha conseguido entender, acredito que ainda esteja entendendo.

“Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. 
E se você olhar longamente para um abismo, 
o abismo também olha para dentro de você.” (NIETZSCHE)





*** Lar é onde o meu coração está! ***

quarta-feira, julho 15, 2015

Virando os 30 por entre os dedos...

Da última vez em que estive aqui não habitava o vasto e profundo universo balzaquiano. Contudo, os 29 já me colocavam em estado de agitação e ansiedade. Em fevereiro de 2014, escrevera sobre saudade e não foram necessários nem dois anos para que essa saudade cessasse (pode ler pela primeira vez ou de novo bem aqui). Seria a tão falada maturidade?
É difícil definirmos o status de maturidade a nós mesmos. Como sabermos se evoluímos mesmo ou não, se deixamos mesmo de ver as coisas da mesma forma ou se é só um momento. A única coisa que temos é a sensação. Durante uma conversa com uma amiga ainda este mês, entre pizzas e vinhos, falamos acerca de crescimento e ambas concordamos que após os tais 30 nos tornamos mais reservadas. A vontade de contar algo a alguém, a ansiedade por tornar público todo tipo de conquista ou alegria, o que buscamos nos relacionamentos, o que sentimentos; tudo isso agora fica mais dentro de nós, é bem mais difícil querer botar pra fora. Há também a dificuldade de encontrar alguém compatível para entender o que passamos, inclusive.
Então percebi que no lugar da saudade e de uma nostalgia um tanto quanto precoce entrou a profundidade da reserva pessoal, reserva dos sentimentos. Momento propício para que eu me conheça mais, entenda melhor cada passo que foi dado e cada um que virá a seguir. O que me acrescenta e o que eu posso jogar fora, o que já foi bom mas agora machuca, enfim, o que vale a pena. 
A conclusão deixou-me feliz por demais. Menos insegurança, mais aprendizado e com isso, mais vida. A era de balzac, ao contrário do que dizem, só me tem trazido luz.

"(...)São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam.
Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'. 
Ponto. Pra elas." Mario Prata

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Quase sem querer

Saudade. Falta. Aquela vontade de sentir algo que a gente nem mesmo sabe o quê. Aquela saudade de uma coisa que nem foi vivida. Quero a paixão avassaladora, quero a calmaria, quero os dias mais surpreendentes. Quero o beijo inesquecível, o abraço mais acolhedor, a demonstração mais entusiasmada de afeto. Quero a manhã dos melhores filmes e a noite mais iluminada. Quero a sorte e quero a busca e o encontro. Quero o mistério, quero as soluções. Quero um amor maior que eu, quero que minha vontade seja maior que eu. Quero ter e ser a melhor companhia. Quero quem me queira com todo o coração, com tudo o que eu sou. Quero falar e dizer tudo o que eu sinto e gritar aos quatro ventos o quanto a felicidade é mágica e difícil de ser encontrada. Quero cheiro, toque, alma, coração. Quero. Quero não ter vergonha de sentir, de pensar, de raciocinar. Quero não sentir medo de querer mudar o mundo. Quero o bem. Quero a paz, mas quero a turbulência das sensações. Quero querer. Quero o bem-querer. Quero a vida, como ela merece ser vivida. Quero tudo e mais um pouco.


*** Lar é onde o meu coração está! ***

quinta-feira, janeiro 23, 2014

Apenas mais uma

''Não entendo, apenas sinto..
Tenho medo de um dia entender..
e deixar de sentir.." (Clarice Lispector)


Você pode ter nascido há 10.000 anos atrás, mas nunca deixará de ser um mero peixinho no mar dos relacionamentos. E quando me refiro a relacionamentos, quero dizer todos, até aquela relação mantida com um bichinho de estimação. Relacionar-se é coisa bruta.

Passa dia e eu cada vez entendo menos. Se faz tudo pra ver o outro feliz, este reclama de falta de personalidade. Se decide ser sincero, recebe patadas referentes a prestar mais atenção em seus próprios defeitos. Chego a temer o dia em que entenderei pelo menos uma linha do processo das relações. Porque o dia em que eu conseguir identificar a melhor forma de relacionar-se sem que seja gerada uma guerra, estarei rica. E com certeza, com mais saúde.
Quando eu era criança, minha mãe sempre me dizia pra que eu não abrisse mão da minha personalidade. Que mesmo na dor, eu permanecesse certa de quem eu era. Bem, hoje vejo que talvez ela tenha esquecido de pensar no processo dos relacionamentos, inclusive a relação mantida com ela própria. Sabe aquela historia de que se você puxa de um lado, descobre de outro? Pois é, é exatamente assim. Se fala, falou demais. Se emudece, está se escondendo.
Dai você passa pelo processo de não conseguir relacionar-se bem com a família, com os amigos, muito menos com o namorado. A cara-metade? Esta tem a chave pra destruir qualquer teoria acerca de relacionamentos. Se eu pegar qualquer livro cujo título seja algo pelo menos parecido com 'Aprenda a ter a perfeita relação com o seu amor' eu compro pra usar de peso pra porta. Porque juro, das duas uma: ou o autor está vivendo uma mentira ou não está e talvez nunca tenha vivido de fato numa relacionamento.
Nas relações amorosas não há segredo assim como também não há regras. E muito menos é um jogo. Está bem longe de ser. É uma das mais difíceis relações e os erros cometidos são tantos que muitos desistem do objetivo principal que é se entregar a alguém. 
Por isso, mesmo não querendo usar esta palavra, desisti de entender. Não tenho a menor vontade de entender qual a forma exata de se ter um relacionamento perfeito (até porque, a perfeição depende de quem vê) justamente por achar que essa perfeição não existe. 
O que existe é o dia a dia, o aprendizado e a tentativa de não permanecer cometendo os mesmos erros. Dai, talvez até seja possível ter um pouco de paz no processo das relações. Mas todo mundo sabe que quando o mar está calmo demais algum ventinho virá pra chacoalhar as estruturas. 


*** Lar é onde o meu coração está! ***

sexta-feira, janeiro 17, 2014

Alô, alô: Planeta Terra chamando

Então o ano começou. Em minha mente ele realmente acabou de começar. Porque estava presa a pensamentos desnecessários e rodeada de frustrações momentâneas. E foi ai que David Bowie salvou-me. Bastou uma postagem de um amigo na rede social facebook para que eu enfim enxergasse o que há tempos eu já deveria ter visto. 'Commencing countdown, engines on...'. É possível viajar e conhecer novos mundos mentais mas é preciso voltar. O tempo não vai parar, o que já foi feito não vai voltar. Não adianta chorar, não adianta estagnar. Não tenho mais tempo pra isso. Preciso sair da nave. Ir adiante. 'Now it's time to leave the capsule if you dare...'. Tenho tanto pra ver e tanto a fazer. David Bowie salvou meu dia, salvou meu fim de semana, salvou meu ano. Claro, salvou meus ouvidos. Eu já não escutava novas (mesmo que antigas) canções, já não cantava, tantos nãos. Então, meu ano realmente começou. Eu posso não estar pronta para o que me aguarda, mas vou em frente assim mesmo.



David Bowie - Space Oddity


*** Lar é onde o meu coração está! ***

sexta-feira, maio 24, 2013

Não são fogos de artifício, mas podem iluminar...

É maravilhoso começar o fim de semana com encanto e expressar apenas palavras de alegria. Eu acredito no poder da palavra e do pensamento positivo. Porém, também sei que o mal existe e que tem tentado dominar tudo o que existe. Quisera eu apenas poder comemorar que a sexta-feira chegou, mas hoje, eu não consegui. Precisei expressar o que o meu interior gritava. Não é pessimismo, muito pelo contrário. É vontade de que as coisas mudem e que quando houver mudança, que ocorra da melhor forma. E que venha forte, esquentando e saciando o coração apertado daqueles que ainda sentem algo ao receberem as notícias atuais. É preciso muita esperança num mundo no qual pontes não param de desabar, debates e discussões acerca da opção sexual alheia é tema constante, baratas evoluem, idosos e animais são vítimas de todos os tipos de violência, há cada vez mais assassinato de crianças, ônibus são incendiados semanalmente e cresce a cada dia o número de estupradores. 


"A esperança não murcha, ela não cansa, 
também como ela não sucumbe a crença. 
Vão-se sonhos nas asas da descrença, 
voltam sonhos nas asas da esperança."

-Augusto dos Anjos

Com a esperança que lateja, ao som de: Enquanto houver sol - Titãs

*** Lar é onde o meu coração está! ***

quinta-feira, abril 04, 2013

Entre o retorno de saturno e o seu...

Da saga enfim entendi o que a música significa. E se não entendi, o sentido que ela fez pra mim, provavelmente fará pra outras pessoas. E da idade dos dilemas, das escolhas, das dúvidas, das renúncias, e das 29 etapas de amadurecimento, espero conseguir passar, melhor e mais forte.



            Versão acústica da música Retorno de Saturno, da banda Detonautas Roque Clube.

*** Lar é onde o meu coração está! ***

Do poço mais fundo...

E do limite de fundo, cada um tem o seu conhecimento. O conceito de fundo depende de onde você está. Essa abertura profunda cavada no solo, tem uma dimensão diferente pra cada um, pra cada estágio. Quando dizem 'o buraco é mais embaixo' não se percebe nem de longe que para o outro ele pode ser muito mais em cima, ou nem existir. Existe um provérbio chinês que diz 'lembre-se de cavar o poço bem antes de sentir sede'. Se houver um bom planejamento e se tudo for feito conforme manda o figurino, o tal abismo pode nem se abrir. Mas inúmeras vezes, mais do que deveria, essa cavidade pejorativa aparece. Acredito que ninguém gostaria nem de estar no poço. Entretanto, estando nele, é a vontade de sair que motivará. O arrependimento por ter se deixado cair ali. A vontade de querer algo além, o saber que você merece mais. O anseio de escapar do poço dará a saída. Mas sem a vontade, o poço ficará cada vez mais fundo, cada vez mais difícil  de sair. Do fundo poço, cada um tem sua própria dimensão. Contudo, acredito que ao sair, tudo deve ficar mais claro; a luz no fim do túnel também existe no alto do poço.

"Mas os poços da fantasia 
acabam sempre por secar 
e o contador de histórias, cansado, 
tentou escapar como podia: o resto amanhã... 
já é amanhã."
Lewis Carroll

Cavando ao som de: All Over You - Live

*** Lar é onde o meu coração está! ***

quinta-feira, março 28, 2013

Nem tão de repente assim...

29, com todas as suas virtudes e incertezas. Há quem diga que a idade não modifica nada em certos estágios da vida, mas eu não acredito nisso. Penso que a mudança sempre ocorre, estando nesta, inclusive, o quê da questão. Se nada mudasse, por que a mudança de ano? Grandes coisas vão surgir. Sei do tamanho, mas não da intensidade. De algumas tenho medo, por outras anseio. E quanto a mudança - "Deixa ser como será...".

"O tempo que tudo transforma, 
transforma também o nosso temperamento. 
Cada idade tem os seus prazeres, 
o seu espírito e os seus hábitos." 
(Nicolas Boileau)

Vintenoviando ao som de: Retorno de Saturno - Detonautas
PS: mas pensando em 29 da Legião Urbana.

*** Lar é onde o meu coração está! *** 

sexta-feira, março 01, 2013

Twenty-twenty-twenty-four hours to go


Em combate ao desânimo vem aquela vontade de viver. Aquela ânsia de fazer, não sei o quê, mas fazer. Muitas vezes o dia parece não passar, mas nada foi feito neste dia de proveitoso. Mas na verdade, isso só acontece quando há inércia. A apatia estagna o tempo, estraga e até destrói. Portanto, vivamos esse momento que só acontece uma vez.

"As próximas 24 horas vão ser de fundamental importância na sua vida. Esqueça o que você foi no passado. Isto não conta, porque estes momentos já foram vividos e estão na memória do tempo. Mesmo que você conheça suas outras encarnações, ou tenha descoberto a pista para solucionar traumas infantis, esqueça o passado. Esqueça o futuro. Primeiro, porque Deus tem sua própria maneira de escrever nossos destinos, e não adianta tentar adivinhar o que passa em Sua cabeça. Segundo, porque – até o dia de amanhã – você só tem 24 horas para viver.Tenha coragem de aproveitá-las, fazendo coisas que você sempre quis. É para isto que você está no mundo. É para isto que Deus lhe dá, todos os dias, às 24 horas mais importantes de sua vida."
- Das 24 horas - Paulo Coelho -

*** Lar é onde o meu coração está! *** 

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Dispenso a previsão...

Bastaria o alarde, junto à aspereza que machuca e incomoda, tal qual uma noite mal dormida. E como consequência, haveria ainda mais que um vazio, se possível fosse. Mas se a felicidade acompanha uma caixa de bombons, a intensidade se acomoda numa cegonha, ou em qualquer outro caminhão. E se a escuridão cega, ela também acorda, como aquele bom café bem escuro servido pela manhã. A esperança acompanha a intensidade, por ser tão forte quanto a mesma. Quando ambas caminham juntas, o instante mais fatigante se torna brando e o novo dia desponta como naqueles filmes clichês. Dai, a vanglória, a ostentação da dor, se torna desnecessária, tanto quanto ou mais que o martírio.

Brandamente ouvindo: O velho e o moço - Los Hermanos

*** Lar é onde o meu coração está! ***

sábado, fevereiro 16, 2013

Intento

E procurando o que realmente quero, encontrei uma palavra perdida. Descobri, sem maiores novidades, que  eu quero mais é ser feliz. Sem ambicionar algo, ambição nunca foi meu forte. No passado, revoltada, escrevi sobre ela e circunstâncias que a envolvem - a palavra sempre me assustara. http://raroseafins.blogspot.com.br/2010/02/ambicao.html.Na busca, percebi que a palavra  ambição continua não fazendo parte nem de meu vocabulário quanto mais de meus dias. Contudo, outra me tomou pelas mãos: objetivo. Com o encontro vieram também as dúvidas e os medos expostos quando se traça uma meta. O percurso do escopo tende a ser árduo, mas os obstáculos provavelmente farão com que tudo seja ainda mais recompensador no final.

"Não basta dar os passos que nos devem levar um dia ao objetivo, cada passo deve ser ele próprio um objetivo em si mesmo, ao mesmo tempo que nos leva para diante." (Johann Goethe)
Objetivando ao som de: A Estrada - Cidade Negra

*** Lar é onde o meu coração está! *** 

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Tudo de bala? Eu quero é tudo de sexta-feira.

O sábado até pode ser a rosa da semana, como já exaltaria Clarice, mas a sexta-feira pode ser o jardim todo. A sexta-feira é repleta de estágios. Ao acordar, ela é cansativa, pesada. A semana inteira nas costas, toda aquela resposabilidade diária que te fez perder sono, perder paciência, perder ritmo. Mas você levanta e segue com a rotina. Afinal, o seu ganha pão está ali, nesse arrasto. À tarde, a sexta-feira já começa flertar com você. A hora do almoço já se mistura com descanso e planejamento para o entardecer. O dia já não parece mais tão longo, as horas já não parecem mais estagnadas. Ao chegar da alvorada, tudo muda. O arrebol toma conta de todo o pensamento e não há mais nada que te prenda. O sábado pode ser especial, mas como já gritaria Nelson, "a sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica". Dai, na hora de fazer os pedidos, lembre-se da sexta-feira. Se me perguntarem, categórica direi: me vê um punhado de sexta-feira e pode ficar com o troco.

Uma ode à sexta-feira, meditando: Satisfaction - Rolling Stones

*** Lar é onde o meu coração está! ***