quinta-feira, maio 19, 2011

A Vida de Presente

"Deve-se doar com a alma livre, simples, apenas por amor, espontaneamente!" (Martinho Lutero)

Doação, caridade, amor, incondicionalidade. Palavras não tão fáceis de serem usadas juntas, significados não tão simples de serem vistos juntos, ocupando a mesma situação.

Há um ano, todas essas palavras, todos esses sentidos, foram enfim definidos. Se bem no fundo havia alguma dúvida, esta foi desfeita.

Meu irmão mais velho não poderia esperar que aquilo pudesse acontecer com ele. Ninguém espera. Na flor da idade, perceber que seus rins não estão trabalhando direito não pode nunca ser uma boa notícia. Ao sofrer calado, depositou suas esperanças em sessões de hemodiálise e na fila de transplante. Mas algo estava por vir, ele esperando ou não.

Aquela ligação com seu irmão, aquilo de estarem sempre juntos, apesar de não serem gêmeos, nunca se daria por acaso. Deus age quieto, principalmente nos momentos mais surpreendentes. Meu irmão mais velho não queria submeter ninguém da família a essa cirurgia. Mas havia alguém que conseguiria ser teimoso, persistente, irmão.

Ao fazer o teste de compatibilidade, a surpresa de 100% de positividade foi inevitável. A fé, a união familiar e o amor incondicional mais uma vez foram demonstrados, agora de uma maneira gritante. No dia 19 de maio de 2010, meu irmão do meio, Flávio, doou um rim para meu irmão mais velho, Fábio.

A cirurgia correu muito bem, assim como a recuperação. A vida de presente foi dada, de um irmão para o outro. Fábio nasceu de novo e Flávio será pra sempre parte dele, agora fisicamente. O significado da ligação foi enfim desvendado.

Neste resumo, feito para comemorar uma data especial e importante, é possível enxergar não só o quanto a vida é importante, mas principalmente, o quanto o amor, a união e a fé têm um papel crucial dentro de uma família.

Não caberiam aqui os momentos negativos. Todas as noites sem dormir, as preocupações, os medos, a angústia. Tudo o que meu irmão mais velho passou junto com sua família foi superado naquele dia. Tudo ficou maior e Deus mais uma vez se mostrou presente.

Moral da história: talvez todo aquele clichê de final feliz. É preciso mesmo acreditar no bem, manter-se forte na fé e perceber que a sua família assim como aqueles que você ama são o que existe de mais importante no mundo. E que a vida é frágil, devendo ser bem vivida e cuidada todos os dias.

"A doação de órgãos é uma forma peculiar de testemunho da caridade. Numa época como a nossa, com frequência marcada por diversas formas de egoísmo, torna-se cada vez mais urgente compreender quanto é determinante para uma correcta concepção da vida entrar na lógica da gratuidade. De facto, existe uma responsabilidade do amor e da caridade que compromete a fazer da própria vida uma doação aos outros, se quisermos verdadeiramente realizar-nos a nós próprios. Como nos ensinou o Senhor Jesus, só aquele que doa a própria vida a poderá salvar (cf. Lc 9,24)."

Papa Bento XVI, Novembro 2008

*** Lar é onde o meu coração está! ***

3 comentários:

Soniah disse...

Thaizinha, obrigada por suas belas palavras, resumiu sentimentos e aflições sentidas por uma familia de vários componentes, unidos num só pensamento, em uma só oração, numa grande fé. E o resultado foi maravilhoso, pelas mãos divinas de Jesus, anunciado por Santa Rita, explodiu em nossos corações, em forma de um milagre absoluto e tão concreto, abençoado por Deus.

Ministério disse...

Olá, blogueiro (a),

Salvar vidas por meio da palavra. Isso é possível.

Participe da Campanha Nacional de Doação de Órgãos. Divulgue a importância do ato de doar. Para ser doador de órgãos, basta conversar com sua família e deixar clara a sua vontade. Não é preciso deixar nada por escrito, em nenhum documento.

Acesse http://doe.vc/mq e saiba mais.

Para obter material de divulgação, entre em contato com comunicacao@saude.gov.br

Atenciosamente,

Ministério da Saúde
Siga-nos no Twitter: www.twitter.com/minsaude

Cidadão Araçatuba disse...

O Flávio (que não conheço pessoalmente), deve ser tão gente boa como o Fábio, que tive o prazer de conhecer e com ele trabalhar na Cobrac.
Sempre sorridente, atuante, com um senso de companheirismo que o destacava dos demais, somado a isso o ser humano gentil e educado.
Não tinha ninguém que não gostasse dele quando o conhecia!
Não sabia do episódio, mas como comecei dizendo, ambos são merecedores da família que tem! Muita saúde, paz e felicidades a todos!